Halving no Bitcoin e o Post hoc ergo propter hoc

O que é o halving, padrões passados, previsões futuras, covid-19, halvings em outras criptomoedas e a ilusão da validade



Conhecimentos Gerais — Recompensa no Bitcoin


O Bitcoin é um sistema de dinheiro eletrônico ponto-a-ponto (conhecido como peer-to-peer ou P2P), isso significa que não há uma autoridade central comandando o protocolo. As unidades bitcoin não são emitidas ou administradas por governos, bancos, servidores centrais ou qualquer outra autoridade. Os bitcoins são emitidos através de um processo chamado “mineração”.


A mineração consiste em computadores emprestando poder de processamento para resolver um problema matemático que irá validar as transações que ocorrem na rede bitcoin. O processo de mineração consume incontáveis ​​mil watts de eletricidade e atualmente requer hardwares especializados que custam caro. Por isso, as pessoas que gastam seu dinheiro escasso para emprestar poder computacional para minerar bitcoins esperam uma recompensa.


A fim de incentivar as pessoas a minerarem bitcoins (ou outras criptomoedas que lançam mão da mineração para validar suas transações), cada bloco contém dois tipos de recompensa: novos bitcoins recém criados e as fees (pequenas taxas) das transações. Tais recompensas são dadas ao minerador ou ao conjunto de mineradores (no caso das pools) que resolvem com sucesso o problema matemático e incluem seu bloco na blockchain.



Dificuldade da Rede


O protocolo bitcoin define que a cada 10 minutos alguém será capaz de resolver esse problema, registrar o bloco na blockchain e reivindicar sua recompensa pelo empréstimo do poder computacional. Cada bloco tem em média 1MB e cada transação tem cerca de 250 bytes. Dessa forma, cada bloco pode conter até 4.000 transações, mas o número de transações é completamente variável.


O ajuste da dificuldade da rede é dinâmico, de forma que a taxa de mineração mantenha-se sempre ajustada para que um bloco seja registrado a cada 10 minutos. Ou seja, não importa quantos mineradores estejam trabalhando na rede, alguém sempre será bem sucedido a cada 10 minutos e poderá reivindicar sua recompensa.


O reajuste da dificuldade ocorre em cada nó de forma completamente independente. A cada 2.106 blocos, a equação reajusta o alvo, medindo o tempo que levou para encontrar os últimos 2.106 blocos e o tempo esperado de 20.160 minutos. A dificuldade da mineração não depende do número de transações que a rede está processando, mas do hashing disponível na rede. Em resumo:

Nova Dificuldade = Dificuldade Antiga * (Tempo dos últimos 2.016 blocos/20.160 minutos)


Observe que nos gráficos abaixo, a taxa de dificuldade do bitcoin é diferente do gráfico de preço do bitcoin, mas acompanha o gráfico do hashrate.


fonte: www.blockchain.com/pt/charts




O que é Halving


Quando Satoshi Nakamoto escreveu o protocolo do bitcoin, ele buscou construir um sistema auto-sustentável, deflacionário e que de alguma forma emulasse a mineração de ouro. Sendo assim, com o tempo, a recompensa pela mineração diminui lentamente para controlar o suprimento da moeda.


A recompensa da rede é calculada baseando-se no número do bloco. O primeiro bloco tinha como recompensa 50 bitcoins, reduzindo pela metade essa quantia, a cada 210.000 blocos. Como cada bloco é emitido em uma taxa fixa de 10 minutos, a redução pela metade (halving) ocorre a cada 4 anos.


A emissão limite do bitcoin é pré-estabelecida em 21 milhões de moedas. Dessa forma, em 2140 todos os bitcoin já terão sido emitidos e a recompensa dos mineradores será apenas as fees. Segundo Satoshi Nakamoto:


“A adição constante de uma constante de quantidade de novas moedas é análoga a mineradores de ouro que gastam recursos para adicionar ouro à circulação. No nosso caso, é o tempo de CPU e a eletricidade que é gasta. ”


Queda na Recompensa dos Mineradores


Como citamos acima, a recompensa dos mineradores se resume a soma das fees e dos novos bitcoins criados. E ambas são variáveis. O valor da fee varia de acordo com quantas transações estão sendo realizadas (oferta e demanda), a tecnologia que está sendo usada (SegWit, Lightning e etc), quantidade de inputs necessários para criar a transação, o hashrate disponível e mais.


O número de bitcoins recém criados depende do momento cronológico que a recompensa está ocorrendo. A taxa de bitcoin criados foi programada para cair pela metade a cada 210.000 blocos (aproximadamente 4 anos, levando em conta que um bloco é minerado a cada 10 minutos). Esse evento, de queda no suprimento, é conhecido como halving.


Ao modificar o fornecimento de bitcoin, historicamente, o halving é tido como um fator que pode influenciar o preço do ativo, antes e depois do evento. Apesar dessa influência, a medida em que a recompensa dos blocos caem, o efeito no halving no preço e sua capacidade de movimentar o mercado também tende a cair.



E quando não houver mais recompensas?

Agora você pode estar se perguntando, o que ocorrerá com bitcoin quando não houver mais emissão de novos bitcoins para recompensar os usuários? Todos os mineradores vão desligar suas máquinas e a rede vai acabar?


Tempo

Como já dito anteriormente, o fim da emissão de novos bitcoins ocorrerá apenas em 2140, isso significa mais de um século de funcionamento da rede. Nesse meio tempo, muita coisa pode acontecer e modificar completamente o mundo das transações econômicas.


Fees

Os mineradores que resolvem o problema matemático e incluem o bloco na blockchain, recebem, além dos bitcoins recém emitidos, as fees de todas as transações que foram incluídas dentro do bloco. Todos os dias, centenas ou mesmo milhares de dólares são pagos em taxas de transação (dependendo do hashpower da rede).

No futuro, as fees podem chegar a um determinado valor (que será dado pelo mercado) que torne lucrativa a atividade de mineração.


fonte: anduck.net/bitcoin/fees



O Halving como fator de influência no preço do Bitcoin

Nos dois primeiros halvings, a rede do Bitcoin ainda era muito pequena e os mineradores tinham maior capacidade de afetar o preço do ativo. As manipulações eram mais fáceis e qualquer modificação na dinâmica de distribuição de hashrate poderia influenciar o mercado. Além disso, atualmente, mais de 18 milhões dos 21 milhões de bitcoins já foram emitidos e há muitos players no mercado. Juntos, esses fatores tendem a diminuir a importância do halving nos próximos anos.





História dos Halving passados

Historicamente, o período de um ano antes do halving marca o início de uma nova dinâmica de preços em alta que se mantém por dois anos e acaba no terceiro ano do ciclo. Se olharmos para trás, podemos observar um movimento de alta em 2011, 2012, 2013 e queda em 2014. Da mesma forma, houve alta em 2015, 2016, 2017 e queda em 2018.


Primeiro Halving: 28/11/2012 ($11.53) o preço do bitcoin moveu-se de US$ 3 em novembro de 2011, para US$ 12 em novembro de 2012, no primeiro halving. Um ano após o evento, o ativo atingiu um ATH de US$ 12.000, em novembro de 2013.


Segundo Halving: 09/07/2016 ($218): depois de chegar ao fundo em janeiro de 2015 (US$152), o preço do bitcoin começou a subir. Em julho de 2015, um ano antes do segundo halving, a subida começou a ganhar cada vez mais força, saindo de US$ 218 para US$ 599, em outubro do mesmo ano. No dia do halving, o preço começou um novo rally, saindo de US$817 e atingindo um ATH de US$19.300, pouco mais de um ano após o evento.





Halving, covid-19 e a realocação de portfólio


Nos últimos dois mês, o evento do Covid-19 desestabilizou todos os mercados, inclusive o das criptomoedas. No dia 15 de fevereiro de 2020, a capitalização do mercado estava em US$ 307 bilhões. Em pouco mais de um mês, o mercado perdeu mais da metade do seu valor e está valendo cerca de US$140 bilhões.


Se olharmos para o passado, o Bitcoin não apresenta qualquer correlação com ativos tradicionais, como o ouro ou o S&P500. Inclusive, o ativo teve históricas subidas em momentos de crises, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China. E sempre houve a hipótese (ou esperança) de que o ativo seria bem visto em crises.


Mas o mercado dos ativos digitais foi tão afetado quanto os mercados tradicionais. Uma hipótese curiosa é respectiva a alocação destinada ao Bitcoin. O Bitcoin é um ativo volátil visto como um investimento que pode aumentar a segurança de um portfólio, por aumentar sua diversificação. Mas isso só é verdade se for realizada uma alocação otimizada desse ativo.


A indicação comum gira em torno de 1% a 5%. O covid-19 causou perdas imensas nos portfólios instituições, o que requer uma realocação de todo portfólio. Nesse momento, muitos investidores puderam ter que liquidar grandes quantias de Bitcoins para realizar sua gestão de risco.


A questão é que o coronavírus enquanto fenômeno econômico se encaixa em uma classe conhecida como CISNE NEGRO. E esses eventos tem capacidade de mudar tudo no mercado, de forma que as regras tradicionais deixam de valer.




Post hoc ergo propter hoc: halving em outras criptomoedas e a ilusão da validade


A Strix Leviathan, fundo de hedge quantitativo de criptomoedas, realizou uma análise do comportamento do preço de 24 criptomoedas e 32 halvings. A análise mostra que as moedas que passaram pelo halving apresentam na média, taxas de retorno total, Sharpe e Sortino pós-halving, levemente superior as moedas que não passaram pelo halving.


O tamanho da amostra em questão faz com que a validação de qualquer narrativa seja limitada. Em relação ao BTC, é possível que o ativo tenha apresentado desempenho acima do mercado devido à crença generalizada da narrativa sobre o efeito do halving. A teoria da oferta e demanda subjacente à narrativa do halving é lógica, mas é bom lembrar que o mundo dos mercados financeiros está cheio de teorias lógicas que não se sustentam no tempo.





''Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis".
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