Nações Bitcoiners: El Salvador, Lugano, República Centro Africana e Andorra.

Apresento quatro casos de territórios que estão usando o Bitcoin para construir utopias reais, baseadas no princípio de liberdade, independência, baixo imposto e em lugares belíssimos.



El Salvador


Em setembro de 2021, El Salvador se tornou oficialmente o primeiro país do mundo a adotar Bitcoin como uma moeda legal. Na prática, isso significa que todos os comércios devem aceitar o Bitcoin e que todos os impostos e encargos do país podem ser pagos na criptomoedas.


A moeda legal de El Salvador sempre foi o dólar, o que gera custos adicionais de US$ 400 milhões em taxas com remessas anuais. O uso do dólar também gera problemas relacionados à falta de controle monetário. Grande parte das nações é fundada sobre a Teoria Monetária Moderna (TMM), onde o Estado pode imprimir dinheiro para resolver os problemas da economia. Quando vivemos período de grande quantitative easing (QE), nações que adotam o dólar, sem ser seu emissor, tem problemas com diluição da sua reserva. É nesse contexto que o Bitcoin se torna uma alternativa interessante para diversos pequenos países pelo mundo.


El Salvador foi o primeiro e levou isso a sério. Em poucos meses, Bukele criou um plano para ajudar na adoção do Bitcoin, distribuiu US$30 em Bitcoin para todos os cidadãos, fez parcerias para instalar 1.500 ATMs de Bitcoin e emitiu US$ 1 bilhão em bonds em Bitcoin para financiar a criação da Cidade Bitcoin. Em relação aos planos para a Cidade Bitcoin, Bukele já anunciou a isenção de impostos, o incentivo para novos residentes e as belas praias da cidade.




Lugano, Suíça


No início do ano, a cidade de Lugano na Suíça estabeleceu o Bitcoin, o Tether e a LVGA como moedas legais no território. O LVGA é uma stablecoin lastreada no franco suíço. A implementação ocorre através do '' Plano ₿”. Um dos grandes objetivos de Lugano é transformar a cidade em um centro de atenção de startups e empresas engajadas com a nova economia. Como El Salvador, Lugano também anunciou planos de usar sua energia excedente para minerar Bitcoin.



República Centro-Africana


A República Centro Africana se tornou o primeiro país da África a adotar o Bitcoin como meio de pagamento oficial. A ''Lei Bitcoin'' foi aprovada com unanimidade em abril deste ano. Assim como El Salvador, a República Centro Africana não tem moeda própria, usando o franco CFA como moeda oficial. Historicamente, dezenas de países Africanos continuam sujeitos a política monetária francesa, e pelo menos 50% das reservas do franco CFA estão custodiadas na França. A própria República Centro Africana foi colônia francesa por 66 anos.

Na prática, muitos países africanos não têm qualquer controle sobre a moeda que usam e nem ao menos custodiam suas reservas. Apesar de ter uma território rico em diamantes, ouro, urânio e vastos recursos agrícolas, o país tem sofrido com sucessivos golpes de Estado e como uma das piores crises humanitárias da atualidade.

Além da adoção, o país também planejou tokenizar seus recursos naturais e criar sua propria cidade do Bitcoin. O projeto da cidade contrasta com a realidade do país. Será que o Bitcoin vai conseguir mudar essa realidade?






Andorra, a velha


Andorra é um dos menores países do mundo. Cercado por montanhas, resorts de esqui, trilhas, impostos sobre vendas abaixo do valor praticado pelos países vizinhos, energia excedente e uma das menores taxas de criminalidade do mundo, Andorra é um refúgio que está paquerando o Bitcoin. Andorra não faz parte da União Europeia, nem da Zona Euro, mas usa o euro como moeda.

Novamente, criando uma situação complexa para o país que depende de uma moeda que não controla. Apesar dos benefícios que Andorra poderia ter ao se integrar a EU, ela não deseja o ônus: tais como mudar sua política e imigração e cobrar maiores impostos. Isso significa que Andorra precisa custodiar toda sua reserva. Porém, não tendo porto ou aeroporto, impede uma movimentação fácil.

Ao adotar o Bitcoin como moeda legal, Andorra poderia custodiar e transferir de forma fácil, suas reservas digitais. O país é dividido por sete condados, sendo cada um dono de uma das sete chaves que são usadas para proteger sua carta de independência. Ou seja, eles já usam um sistema multi-sig de centenas de anos.

Apesar de Andorra não ter adotado (ainda) o Bitcoin como meio de pagamento oficial, o governo aprovou sua Lei de Ativos Digitais, buscando regular o setor e atrair empresas e capital humano e criar um dinheiro digital próprio. Será que veremos uma adoção a seguir?


Conclusão

Apesar das gigantescas diferenças geográficas, políticas, históricas e econômicas dos quatro territórios, todos eles buscam no Bitcoin a mesma coisa: independência econômica e capital humano qualificado.

Ao adotar bitcoin como moeda legal, meio de pagamento e planejar cidades inteiras focadas nos entusiastas das criptomoedas, esses países e cidades criam uma página em branco para reescrever sua história, ao seu próprio modo.

Para todos esses pequenos territórios extremamente dependentes da moeda de grandes nações, o Bitcoin surge como uma alternativa histórica. A pergunta que não quer calar é, o Bitcoin pode realmente redesenhar a história de um país?

''Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis".
George Box